Estranhos que visitaram

sábado, 21 de agosto de 2010

Amar-elo



Se você quiser saber de verdade, eu vou dizer, na verdade minha mão não disse, porque ela insistiu em não te dar tchau. Mas está tudo bem, amor, você pode ir. Nós já conversamos sobre isso e decidimos que chegou a hora, seria melhor para os dois, afinal, nós sempre pensamos juntos, pensamos nos nós, nos dois, nessas vidas que eram nossas, que nos pertenciam, porém éramos um, você lembra disso?


Pois é, eu sei que daqui a pouco vai ser mais difícil, porque vai ser o momento em que eu ficarei no portão branco, seco pelo sol, e que faz aquele barulho ao abrir. Vai ser o momento em que quando o sol bater e eu sentir a ardência, vou apertar muito meus olhos, até quando as lágrimas e os cílios se fundirem, daí eu vou te ver pequeno, te ver passando pelo portão, pela minha vida e fazendo meu vestido amarelinho e florido balançar, sabe o motivo? Você é do tipo que tem pressa, passou tão rápido por mim que o vento soprou.


Hey, amor! Será que foi o vento que te levou? Sabe, amor, eu não estou sentindo o que deveria. Eu deveria estar chorando muito, tendo raiva de você, mas a saudade não está me deixando espaço para isso. A sua falta se faz tão presente quando passo pelo portão branco, e a casa está vazia, a casa já não é mais um lar, a casa está escura, porque você é o meu sol, minha luz, minha poesia, melodia, o meu amor. Eu não entendo, queria saber por que não consegui te dar tchau, talvez porque eu quero você aqui de novo, a gente tem que ser feliz de novo, feliz como sempre, você entende?
Querido, entenda também que isso de eu não estar sentindo nada é loucura, talvez eu tenha anulado a minha vida, claro como eu posso viver sem meu coração? Realmente, eu preciso viver, volte. Meu bem, como você não consegue enxergar e que ideia é essa de mudar a sua vida, sua vida sou eu, eu sou tua, esqueceu? Deixa disso, amor, vem logo! Vem que eu preciso trocar a lâmpada da sala de estar, volta que eu necessito de ouvir você cantando no chuveiro, era como se você competisse com a água. Quando você voltar prometo costurar sua camisa, e contar historinhas para você dormir, porque nosso amor é inventado, só a gente sabe o que acontece.


Reguemos então, meu amor, esse amor que nasce todos os dias, o tempo de colheita está vindo, Vida! Volte com a cesta da primavera, que o beijo está pronto para ser dado, mas retorne ao lar, amor, que meu lado está precisando da chama que sai de ti. Você, todo meu. Esse amor que é brisa, é lavanda, é flauta, é doce. Esse amor que é. Eu quero te ver, amor, passando pelo portão branco descascado pelo sol, olhando o lençol lavado no varal, e me abraçando, porque entre nós existem raízes, não há algemas, raízes porque é natural. Eu quero a paz verdadeira de novo em nosso canto, no brilho do amanhecer, no café. Abraça-me, amor, que nos teus braços eu quero sonhar, viver, renascer, e a cada dia por ti me apaixonar.

4 comentários:

Nilson Vellazquez disse...

Pow, muito boa essa passagem aqui, ó: passou tão rápido por mim que o vento soprou.
Parabéns!

IuskaMoura :) disse...

Eu Amei. *-*

Versos Perdidos disse...

Que saudades dessa primavera. Talvez eu viva sem consegui dar xau...

Lindo, Thay.

Priscila Oliveira disse...

Lindo, lindo!
=)