Estranhos que visitaram

domingo, 3 de junho de 2012

Izitukmaré




Eu não sei se o que me encantou primeiro foi o seu jeito nem aí pra tudo ou o seu sorriso que parava tudo. Algo me deixou com muita vontade de falar com você, eu realmente não sei o que estava me dando naquele momento. Você viajava numa música que eu nunca vou saber qual era. Você tão simples, tão bonito, tão misterioso. De repente, você já tinha alterado o meu cotidiano, veio como um ladrão e roubou a minha rotina, era realmente como Rodrigo Amarantes canta “pra nós dois sair de casa já é se aventurar”.
Foi tudo tão rápido e quando eu percebi não tinha mais jeito: eu queria você na minha vida pra sempre. Eu repetia incansavelmente o quanto eu te amava, era um jeito de você acreditar em mim e não me deixar. Eu tinha medo que você me deixasse. Durante um tempo isso parecia uma hipótese remota, parecia que você estava na mesma vibe.
Comecei a te inserir em quase todos os meus círculos de amizade, família, etc. E a gente não parava, na verdade, eu não parava. Você fez isso com muita calma, você guardou alguns dos seus amigos, aqueles que não iam perguntar por mim.
A gente gastava muitas horas dos nossos dias juntos, grudados, cansados. Virou um costume estar junto. Com o aumento da intimidade, brigas começaram a virar rotina também, mas durante um tempo a gente até ria disso, a gente fazia as pessoas rirem disso. E o tempo foi passando. Um tempo depois e a gente já era ponto de referência um do outro, pra quem gostasse ou não disso, a gente gostava.
Trocamos muitas experiências do passado, mudamos um pouco quem éramos, mudamos. Eu me envolvi de uma forma que nunca havia me envolvido, de um jeito que muita gente me mandava parar e eu não dava ouvidos, tudo era normal e uma amizade como aquela eu nunca ia ter igual. Eu estava vendo algumas fotos e percebi o declínio do nosso sorriso. Incrível como um sorriso diz tudo! O que era feliz, espontâneo, infantil, virou um ato de simplesmente mostrar os dentes e o pensamento do “pode parar?”.
As brigas começaram a virar rotina e o que era engraçadinho, fofinho, virou mutilação. A gente queria machucar o outro com a intenção da defesa, essa é a verdade. Mas chegou a um ponto que um ia ficar sangrando até morrer. Eu percebi que quem estava chegando a esse ponto era eu. Eu e a minha idiota dependência. Juro que tentei evitar, eu acho até que eu fui a que mais remei, corri, socorri a gente... Mas olha só o que sobrou.
Eu sinto muita falta de quem a gente era, de como a gente era. Mas não serei ingênua pra tentar de novo. Já fiz isso, lembra da brincadeira da “terapia”? Tudo mudou, tudo mesmo. Querer que tudo volte ao normal é ilusão, porque eu queria mesmo que você fosse aquele que aos 17 me deixou tão encantada pelo jeitão resolvido de ser.
O irônico é que (não sei se sem querer) resolveu me tirar da sua vida depois de eu ter dedicado tanto a minha. Dediquei minhas horas, meus dias, minhas preocupações e meu instinto materno.  Não estou colocando culpa em ninguém, entenda! Mas eu desisto, sabe? Eu não aguento mais... E ser colocada em segundo plano não era o meu plano.
Você foi uma das maiores alegrias da minha vida, um dos meus melhores sorrisos, uma das minhas enormes alegrias. As palavras não vão conseguir chegar perto do quando meu coração fica feliz ao lembrar do tempo doce que a gente viveu.
Viramos antigos estranhos, é o que dói. A falta de respeito e admiração mútua ficou feia.
Pena que acabou. Meu amor por você não acabou, não esqueça disso! Eu aprendi muito com você, obrigada. Espero que você leve só o que for bom. Eu não tenho raiva de você, um dia eu disse a você “o limite pra você é o céu!”, espero que você realize o grande sonho da sua vida, espero um dia ler uma coluna assinada por você. É melhor a gente não se cortar mais, é melhor tentar lembrar o passado com alegria. E pela última vez... Se cuida. 

2 comentários:

Karine Tavares disse...

Teu blog é ótimo, parabéns!

Vem conhecer o meu:
leiakarine.blogspot.com

Priscila Oliveira disse...

Foi doce enquanto durou...
Beijos gatona!

priohmy.blogspot.com.br