Estranhos que visitaram

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Fred

Esse conto foi feito de um jeito especial, combinei com uma pessoa especial. Como tema usamos ''Auto-estrada''.





                                       Autoestrada   
Baby, hear me you're so unusual
Didn't anyone tell you, you're supposed to
Break my heart, I expect you to
So why haven't you?
Maybe you're not even human 'cause
Only an angel could be so unusual
Sweet surprise I could get used to
Unusual you

B.S
                

Eu corria contra a chuva, carros e noite. Quebrei meu salto, minha unha e ia tentar consertar a minha vida. Quando eu tentei te fazer mal e, assim mostrar às minhas amigas, família e mentir pro meu espelho, não tinha percebido que estava acabando com a minha vida. Agora, eu pego meu carro, 100 km/h, 120 km/h, sinal vermelho.

 Acho que você nem imagina que estava indo te encontrar, mas você é bom, eu tenho quase certeza que ia me aceitar de volta, você é muito bom. O vento gelado tirava a mecha de cabelo colada na minha testa. Ficava pensando como consegui passar um mês sem te ver, eu já tinha preparado toda a mala, aquele aeroporto ia marcar a nossa vida.

 A gravação da máquina no estacionamento me deixava mais nervosa, eu estava sozinha, ninguém sabia o que eu estava fazendo. Larguei meu sagrado trabalho por você, só faria isso por você, porque você é bom, você é muito bom. Vesti o sobretudo marrom, sem nada por baixo, eu queria ser amada por você na poltrona do avião. Não, o céu não é o limite.

 Eu correndo pelo salão do aeroporto descalça, com malas, papéis e coração na mão. Eu tinha que te ver, e dizer o quanto eu descobri que estava apaixonada. Três anos de relação e acabo de me apaixonar, troquei minha vida, minha perfeita vida, por você. Por que você é bom, perfeitamente bom.  Meu coração saltava da mão, estava chegando a hora de dá-lo a você.

  Te achei! Nervoso, enrolando os cachinhos, limpando os óculos, apertando os lábios.


 Corri mais, todos me olhavam. Mas o check-in foi autorizado, você indo embora, eu perdendo minha voz, e eu sabendo que o homem da minha vida estava fugindo de mim, sei que vai falar de mim para outras com dor e ódio. Desisti de fazer a cena, de te usar, mesmo que fosse, pela primeira vez, de verdade.

  Mas eu não podia tomar mais seu tempo, eu te vi tão lindo. Eu estava feia. Em segundos, literalmente, eu ia te deixar voar. A única coisa certa a fazer naquele momento era deixar você ir. Seria um grande egoísmo aquela “prova de amor”. Você me deu tudo, e eu ia te dar fogo. Você me deu tudo e eu ia te dar o quê?

 Devagar, juntei meus cacos, deixei minha cara estapeada pelas lágrimas à mostra. Agora eu era uma filha envergonhada pela mãe na rua. Mas eu estava lá, queixo calculadamente erguido, maquiagem borrada, lágrimas pretas que atravessavam meu pescoço. Tudo volta ao normal. O meu coração ficou no chão, eu o vi agonizar, foi feio.

Um comentário:

Priscila Oliveira disse...

Que triste!
Era pra ela, ao menos, ter gritado o nome dele...

=}